O III SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PSICOLOGIA AMBIENTAL E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL PUC/SP – EMBRAPA, com o tema “água, mudanças climáticas e bem-estar” foi um sucesso! Não imagino uma forma melhor de comemorar os 10 anos do Grupo de Estudos e Pesquisa em Psicologia Ambiental da PUC/SP (do qual faço parte desde 2000, quando iniciei meu Aprimoramento).

Palestrantes e alguns dos membros da comissão organizadora do evento
Eu não pude acompanhar tudo porque estava trabalhando na comissão organizadora, mas consegui assistir a conferência do Dr. Gabriel Moser, e foi muito interessante. Ele apresentou três pesquisas realizadas no Laboratoire de Psychologie Environnementale, todas relacionadas à água. A primeira pesquisa apresentada, que na verdade foi a última realizada, falava do uso e da percepção da água em quatro países, de três continentes: Europa (Itália e França), Ásia (Índia) e America Latina (México). Nos países em desenvolvimento, como a Índia e o Mexico onde a acessibilidade, qualidade e acessibilidade à água limpa são incertas, foi constatado que havia uma maior conscientização da importância da água e da sua degradação progressiva, enquanto que nos países ocidentais desenvolvidos, onde as pessoas possuem uma boa instrução, educação etc. não há essa conscientização e as pessoas ainda agem como se a água fosse um recurso ilimitado.
Eu, particularmente, me surpreendi com essa constatação, pois, as pessoas que são melhores instruídas, com acesso a educação, deveriam ter uma noção mais clara de que a água do planeta está acabando sim e que precisamos tomar as devidas providências para garantir uma boa qualidade de vida para a nossa geração e para as gerações futuras, enquanto que as pessoas menos instruídas talvez não tivessem essa noção, mas o que acontece é justamente o contrário. Quem não possui saneamento básico é quem valoriza muito mais a água!
As outras duas pesquisas apresentadas por Moser também foram interessantes, uma falando sobre os agricultores franceses e a forma como eles lidam com as questões relacionadas à desenvolvimento sustentável e a terceira sobre a percepção da água e condições do acoplamento no comportamento de conservação em vários países: da Europa: Munich, Madrid, Rennes, Limoges, Bordeaux, e Paris; da Ásia: Jakarta e Osaka; da África: Ouagadougou e da América do Sul: Brasília. Pesquisadores desses paises se uniram para essa pesquisa e o resultado foi semelhante ao da primeira (no que diz respeito aos países em desenvolvimento e os mais desenvolvidos), e destaco os dois tipos de representação da água: uma visão fragmentada, baseada na experiência individual e dependente da proximidade temporal e espacial; e uma visão abstrata, global e ecológica baseada na percepção de interdependência entre pessoa e ambiente, largamente independente do contexto temporal e espacial.
O Seminário ainda contou com a presença da Profa. Dra. Marlise Bassani, uma das coordenadoras do convênio PUC-Embrapa, que fez uma apresentação destacando as pesquisas já realizadas dentro deste convênio e a produção do Grupo de Estudos e Pesquisa em Psicologia Ambiental da PUC/SP em Congressos e outros Eventos Científicos num video descontraído que apresentava uma sequência de fotos com pesquisadores ilustres da Psicologia Ambiental atual. Para ressaltar a importância da inter-relações pessoa-ambiente na saúde e na qualidade de vida, ela usou como música de fundo Felicidade, de Luiz Tatit, e foi muito elogiada por isso. Deixo aqui a letra da música, para quem não a conhece:
Felicidade
Luiz Tatit
Não sei porque estou tão feliz
Não há motivo algum pra ter tanta felicidade
Não sei o que que foi que eu fiz
Se fui perdendo o senso de realidade
Um sentimento indefinido
Foi me tomando ao cair da tarde
Infelizmente era felicidade
Claro que é muito gostoso
Claro que eu não acredito
Felicidade assim sem mais nem menos
É muito esquisito!
Não sei porque estou tão feliz
Preciso refletir um pouco e sair do barato
Não posso continuar assim feliz
Como se fosse um sentimento inato
Sem ter o menor motivo
Sem uma razão de fato
Ser feliz assim é meio chato
As coisas nem vão muito bem
Perdi o dinheiro que tinha guardado
E pra completar depois disso
Eu fui despedido estou desempregado
Amor que sempre foi meu forte
Não tenho tido muita sorte
Estou sozinho sem saída
Sem dinheiro sem comida
E feliz da vida
Não sei porque estou tão feliz
Vai ver que é pra esconder no fundo uma infelicidade
Pensei que fosse por aí
Fiz todas terapias que tem na cidade
A conclusão veio depressa
Sem nenhuma novidade
Meu problema era felicidade
Nem fiquei desesperado
Fui até, bem razoável
Felicidade quando é no começo
Ainda é controlável
Não sei o que que foi que eu fiz
Pra merecer estar radiante de felicidade
Mais fácil ver o que eu não fiz
Fiz pouca coisa aqui pra minha idade
Não me dediquei a nada
Tudo eu fiz pela metade
Por que então tanta felicidade?
Dizem que só penso em mim
Sou muito centrado
Que sou egoista
Tem gente que põe meus defeitos
Em ordem alfabética
E faz uma lista
Por isso não se justifica
Tanto privilégio de felicidade
Independente dos deslizes
Dentre todos os felizes
Sou o mais feliz
Não sei porque estou tão feliz
E já nem sei se é necessário ter um bom motivo
A busca de uma razão
Me deu dor de cabeça
Acabou comigo
Enfim eu já tentei de tudo
Enfim eu quis ser conseqüente
Mas desisti
Vou ser feliz pra sempre
Peço a todos: com licença!
Vamos liberar o pedaço
Felicidade assim desse tamanho
Só com muito espaço
O Dr. José Maria Gusman Ferraz, coordenador do Convênio PUC-Embrapa pela Embrapa Meio Ambiente, apresentou uma conferência sobre mudanças climáticas e educação ambiental, além de participar da Mesa Redonda “Olhares sobre a água” que contou também com uma linda apresentação do Frei Vasco Croccoli, que apresentou a sua visão religiosa de uma forma muito agradável de se ouvir, lembrando inclusive que no dia 4 de outubro (data do seminário) celebramos São Francisco de Assis, que tanto amava a natureza.
Outra apresentação interessante foi a do Professor Marco Antônio Ferreira Gomes, da Embrapa Meio Ambiente, sobre o Aquífero Guarani frente às mudanças climáticas. Foi clara a reação das pessoas em relação à esse tesouro que possuímos em nosso país e que não podemos mais degradar. Algumas pessoas presentes chegaram a comentar comigo que nem sabiam da existência desse Aquíforo, que é tão importante quanto a nossa floresta amazônica.
Este ano tive a oportunidade de apresentar um trabalho também, na inédita seção de posters enviados por estudantes e profissionais que lidam de alguma forma com a Psicologia Ambiental. O meu foi uma revisão atualizada da inserção de aquários em hospitais buscando destacar os benefícios que a inclusão deles podem trazer ao paciente hospitalizado, assim como aos acompanhantes, funcionários e demais pessoas inseridas no ambiente.
Outros três posters me chamaram a atenção:
O de Suzana Maria da Silva Ferreira Lima, sobre o trauma e a dor das mulheres ribeirinhas que tiveram que vivenciar o escalpelamento (perda parcial ou total do couro cabeludo) provocado pela sucção do motor de eixo do barco que utilizam; o da equipe da prefeitura municipal de Barueri, com a Agenda 21 Escolar, e aproveito para agradecer o material distribuído, principalmente o broche que diz “penso globalmente e atuo localmente” (quem me conhece sabe o quanto adoro broches, estou sempre com algum na bolsa ou na roupa); e o de Maísa Mostica Hortal, com uma proposta de desenvolvimento sustentável local muito interessante.
Sem dúvidas foi um prazer para mim ter participado mais uma vez da comissão organizadora deste seminário. É um trabalho voluntário que eu faço desde a sua primeira edição e vê-lo crescendo a cada ano é uma satisfação pessoal muito grande.